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Campanha Nacional denuncia a possível extinção do Cerrado

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

GIAS - ‘Sem cerrado. Sem Água. Sem vida’. Esse é o lema e advertência da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, cujo lançamento foi realizado em Brasília nesta terça (27), na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB.
O objetivo da Campanha é alertar a população brasileira sobre a importância do Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, com cerca de 2.036.448 km2 espalhando-se em ¼ do país, pelos estados de Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rondônia, São Paulo, Tocantins, ocupando também parte de Roraima, Amapá, Amazonas e Pará. Além de abrigar cerca de 15 mil espécies de plantas e 300 mil espécies de animais, fazendo dele a savana com maior biodiversidade do planeta, o Cerrado é o lar de várias comunidades e povos tradicionais, conhecedores e guardiões de um importante patrimônio cultural e ecológico. Finalmente, o bioma também é conhecido como ‘caixa d´água do Brasil’ ou berço das águas da América do Sul, já que nele nascem as principais bacias hidrográficas do sul do continente, que são a Amazônica, a de São Francisco e a da Prata, das quais todos dependemos.

No entanto, grandes ameaças pairam sobre o Cerrado, já que cerca de 52% do bioma foi destruído, consequência de um sistema insustentável e predatório que promove o agronegócio com suas monoculturas e agrotóxicos, grandes obras de infraestrutura, tais como hidrelétricas e vários tipos de mineração, entre outros. Como se isso não bastasse, um projeto de destruição ambiental intitulado MaToPiBa está sendo implantado como Plano de Desenvolvimento Agropecuário – PDA, com foco na expansão da fronteira agropecuária nos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O Plano já está acarretando grandes impactos socioambientais, afetando principalmente as comunidades camponesas e os povos tradicionais e originários da região, como denuncia um documentário da Goose Audiovisual com a Comissão Pastoral da Terra – CPT.

Nesse contexto, a Campanha denuncia essas ameaças, dando voz e visibilidade ao bioma e aos povos e comunidades que nele habitam, conscientizando e pautando a sociedade em nível nacional e internacional, e informando que esse perigo ameaça todos nós. Como explicou Isolete Wichinieski, da CPT, “Defender o Cerrado é preservar as águas, é preservar a vida e todos e todas são responsáveis por isso”.

Dentre as organizações que apoiam a Campanha, a CPT e a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – Fase, são membros do Gias, uma rede de cerca de 40 organizações cujo objetivo é alertar a sociedade mato-grossense sobre as ameaças representadas pelo agronegócio, demostrando que outro sistema social, ambiental e economicamente justo é possível: a agroecologia. Nesse sentido, várias organizações da rede atuam no cerrado mato-grossense demostrando as mesmas preocupações com o futuro do bioma.
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