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Projeto leva mostra fotográfica itinerante ao Parque Indígena do XINGU

Posted on quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Mato Grosso é desvendado pelo olhar de Henrique Santian, através de uma exposição composta por 20 imagens do acervo que marca suas andanças por Mato Grosso e começa a circular já na próxima semana. A primeira localidade visitada é a aldeia Ulupuwene, do povo Waujá, no Parque indígena do Xingu. A exposição traduz a sua concepção dos biomas Cerrado, Amazônia, Araguaia e Pantanal, com uma visão nada tradicional de recepção, onde identifica detalhes da natureza, agora imolada pela presença do homem predador. Ao fazer o registo fotográfico de ambientes naturais e em transformação, o fotógrafo traz como identidade em seu trabalho, um olhar documental artístico, que propõe criar uma reflexão pelo antagonismo das imagens paralelamente apresentadas.
O público, além de usufruir de momentos hedônicos, pela beleza das paisagens retratadas, poderá ultrapassar os momentos contemplativos em uma imersão de apelo ecológico pela preservação e conservação dos ecossistemas. Contemplado pelo Edital Circula MT (2016), do Governo do Estado de Mato Grosso, através da Secretaria de Estado de Cultura, Santian irá a quatro localidades do estado - aldeia Ulupuwene, Santiago do Norte, Chapada dos Guimarães e Vila Bela da Santíssima Trindade, onde, além da exposição, realizará oficinas de fotografia documental. Das quatro localidades visitadas, três receberão as oficinas.  

Nesta exposição, o fotógrafo/artista transgride a lei simbólica imposta pelo social e se articula em novas “identidades subjetivas e sociais”. "Nessa nova sistemática de mediação, propõe uma relação transversal entre o observador e o território, com a paisagem servindo de instrumento. Sendo assim, a criação da paisagem equivale à criação do sujeito que observa. A paisagem não é uma e sim várias, dependendo da concepção cultural/ideológica de quem a observa e o quanto é instigado por ela", diz José Serafim Bertoloto no texto de abertura da mostra. Um clássico da mostra é a série trabalhadores, que, por exemplo, traz lado a lado, a construção de uma casa indígena xinguana e um armazém de grãos da região Nordeste do Estado,  além das formas, texturas e geometria de ambos objetos, também trazem a reflexão do elo entre o homem predador e sua origem ancestral.

A construção desta mostra fotográfica nos permite uma provocação com as imagens, a de questionar desde os momentos contemplativos, até a preservação e conservação do nosso ecossistema. O fotógrafo explica ainda, que, está levando para cada região a oportunidade de compartilhar a arte e a troca de linguagem tanto visual quanto de vivência de cada um com seu lugar. "Reproduzi a exposição para deixar de presente para cada localidade visitada a série contendo 20 imagens, para uso didático das escolas, oportunizando inspirar e provocar mudanças na forma de ver e pensar o seu papel socioambiental", explica Santian. 

Henrique Santian é fotógrafo documentarista e artista visual multimídia, nascido em 1989 em Sorriso, no norte de Mato Grosso. Formado pela Omicron (PR), trabalha com fotografia desde os 15 anos, tendo conquistado boa parte de seu repertório de forma autodidata.  Sua obra é diversa e tem como marca um distinto olhar autoral. Atualmente mora em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, e desenvolve uma série de projetos documentais e artísticos concomitantes. 


Serviço:

03/09 a 09/09 Aldeia Ulupuwene (Wauja) – Terra Indígena do Xingu – MT
11/09 a 03/10 Santiago do Norte  – MT (a ser informado)
06/10 a 06/11 Chapada dos Guimarães – MT (a ser informado)
09/11 a 09/12 Vila Bela da Santíssima Trindade – MT  (a ser informado)       
contato: 065 999282309 (WhatsApp) ou e-mail  santianfoto1@gmail.com

Professores e alunos discutem alternativas socioambientais

Posted on sábado, 25 de agosto de 2018
A preocupação ambiental é uma realidade que afeta a todos. Se vemos isso mais facilmente nas grandes cidades, isso não está ausente nas comunidades do interior da Amazônia. Na verdade, muitas das questões como a geração de lixo é um problema bastante comum, assim como a baixa qualidade da água em algumas regiões. As queimadas urbanas, que causam transtornos nas cidades, tornam-se catastróficas nas aldeias indígenas.
Estes foram alguns dos temas que reuniram indígenas de três povos indígenas na Terra Indígena Apiaká-Caiaby, no município de Juara, noroeste de Mato Grosso, entre 18 e 20 de agosto. O Encontro Coletivo Etonoambiental faz parte do projeto de extensão da Universidade do Estado de Mato Grosso – Unemat ConTextos ambientais Juruena-Juara/MT: formação docente de professores indígenas e da rede pública em Educação Ambiental. Este projeto foi criado no âmbito do Poço de Carbono Juruena, que apoia a Unemat e que é desenvolvido pela Aderjur, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
“A formação em Educação Ambiental é fundamental para o entendimento de como as proposições trazidas pelo projeto para a comunidade dialoga com muitas das questões que estão sendo trabalhadas pelos professores em sala de aula, resultando em maior empoderamento dos professores e alunos pelas atividades do projeto, seu maior alcance para as famílias e sua sustentabilidade em longo prazo”, explica Paulo Nunes, coordenador do projeto.
Os dois primeiros dias do evento foram realizados na Escola Indígena Munduruku, com 12 professores e 61 alunos, em que os jogos abordaram, de forma muito prática, temas ambientais ligados ao cotidiano.
Uma das atividades, por exemplo, foi a competição para que os grupos trouxessem o maior número possível de sementes de espécies diferentes de plantas. Em poucos minutos, as crianças e adolescentes reuniram cerca de 60 espécies, mostrando que eles têm conhecimento da diversidade da flora na aldeia e seu entorno.
Outra atividade foi que cada grupo teve que trazer um ancião para que contasse uma história relacionada aos temas ambientais. Com isso, os jovens perceberam a importância da sabedoria dos mais velhos em relação a vivência na aldeia.
Já um quizz, jogo de perguntas e respostas fez com que as crianças percebessem os maiores problemas socioambientais da região, que são o acúmulo de lixo como plástico e baterias, sobre o como a queima descontrolada faz estragos na biodiversidade. Ou ainda como a escassez de água na aldeia Munduruku é agravada com os agrotóxicos que são jogados nas fazendas em volta da Terra Indígena e contaminam a água do rio que abastece a aldeia. Quando chove a água leva esse agrotóxico para dentro dos rios, provocando a morte de peixes e complicações gastrointestinais nas crianças.
Seminário com professores
Estes mesmos temas foram abordados num intercâmbio com os Apiaká, Kayabi e Munduruku, totalizando 121 pessoas, entre professores e alunos. Realizado na aldeia Tatuí, do povo indígena Caiaby, o evento teve início com a apresentação dos trabalhos de Educação Ambiental dos alunos de três escolas dos povos  Caiaby, Apiacá e Munduruku. Estes projetos estão sendo desenvolvidos desde o inicio do ano com a supervisão da Unemat e apoio do projeto Poço de Carbono Juruena.
Após as apresentações, os professores puderam participar de cinco oficinas para aperfeiçoamento em Educação Ambiental, com os seguintes temas: Resíduos sólidos; Educação Patrimonial; Confecção de material didático para Educomunicação: cartazes comunicativos; Elaboração de material didático para Educomunicação: um vídeo e Escola- Comunidade: consumo de bebidas;
Uma das conclusões apontadas durante o evento foi a necessidade de trabalhos de sensibilização em relação a como fazer queimadas seguras e apenas em caso de última necessidade. Isso porque além da destruição da floresta e da fumaça, a queimada mata ou afugenta os animais que serviriam para caça.
Quanto ao lixo, o principal foco é pensar na educação para o consumo, para que hábitos alimentares sejam repensados, por exemplo. Quanto mais se consumir alimentos produzidos dentro da própria aldeia há menos necessidade de adquirir alimentos industrializados e contaminados com produtos químicos e conservantes.
Já a questão da água e da contaminação dos agrotóxicos são problemas externos que exigem esforços em outras esferas e que precisam da ação do poder público, de forma mais intensa, para mitigar esses problemas.
Poço de Carbono Juruena
O projeto Poço de Carbono Juruena, desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena – Aderjur, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, busca oferecer alternativas sustentáveis de renda aos agricultores familiares e povos indígenas.
O projeto apoia o extrativismo da castanha-do-Brasil em vários municípios do Noroeste de Mato Grosso. Também incentiva a diversificação de cultivos na recuperação de áreas por meio de sistemas agroflorestais em pequenas propriedades de Juruena. Dessa forma, os agricultores têm diversas opções de cultivos e uma renda garantida e melhor distribuída ao longo do ano. Além do benefício econômico, os sistemas agroflorestais “imitam” o comportamento da floresta, armazenando carbono e ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Formação em Educação Ambiental capacita professores indígenas e da rede pública

Posted on segunda-feira, 23 de julho de 2018
Um programa inédito de Educação Ambiental está reunindo sessenta e seis professores indígenas e não-indígenas de Juruena e Juara, no Noroeste de Mato Grosso. A expectativa é que a comunidade escolar se envolva na proposição de alternativas de problemas ambientais da região, bem como incentivar a discussão de políticas públicas. Os principais resultados serão divulgados em uma publicação impressa e digital no início do ano que vem.

A proposta do projeto de extensão da Universidade do Estado de Mato Grosso – Unemat ConTextos ambientais Juruena-Juara/MT: formação docente de professores indígenas e da rede pública em Educação Ambiental é trabalhar o tema de forma multidisciplinar na área de atuação do projeto Poço de Carbono Juruena.

Rosalia de Aguiar Araújo, Mestre em Ciências Florestais e Ambientais, professora da Unemat, e coordenadora do projeto de extensão, explica que a forma de trabalhar com os professores de Juara e de Juruena, apesar de diferenciada, comunga da epistemologia da prática e das nuances culturais que permeiam os dois grupos de professores. Entretanto, nos dois casos espera-se que a sensibilização para mudanças de comportamento seja despertada tanto nos professores quanto nos alunos.

Com os professores da Terra Indígena Apiaká-Kayabi, de Juara, são realizados encontros em cada uma das três escolas e em algumas etapas há um encontro coletivo com todos os professores das três etnias indígenas. Duas das escolas elegeram o tema “fogo” para ser trabalhado e a terceira escola escolheu o tema “água”. O risco de grandes incêndios florestais que se originam fora da terra indígena e a perda na qualidade da água pela ocupação no entorno, com cidades e agropecuária são temas urgentes para a comunidade indígena.

“Os professores estão desenvolvendo em sala de aula ações e atividades com os alunos sobre o tema escolhido e a perspectiva é que esse trabalho em sala de aula mobilize toda a comunidade indígena para ações de preservação”, explica Rosalia.

Já com os professores da rede estadual e municipal de Juruena o processo é diferente. Como eles já trabalharam com Educação Ambiental em fases anteriores do projeto Poço de Carbono Juruena, dois ou três professores de cada escola foram selecionados para participar de encontros presenciais que acontecem uma vez por mês. Entre um encontro e outro os professores desenvolvem ações com os alunos e outros professores.

“Esses professores já iniciaram a formação elaborando um projeto para desenvolver com os alunos. Esses projetos orientarão o passo-a-passo e o nível de envolvimento dos alunos”, comenta.

Seminário reunirá professores
Devido a distância entre os municípios, cerca de 350 quilômetros, e a realidade específica das escolas indígenas de Juara e da rede pública de Juruena, todos os professores que participam da formação só irão se encontrar no seminário anual que será realizado no final do ano.

Este será o momento de troca de experiências, apresentação dos resultados dos trabalhos, além da realização de algumas oficinas. “As escolas indígenas de Juara, por exemplo, percebem os impactos do agronegócio e do consumismo urbano, que está resultando em danos ambientais gravíssimos, que podem alterar a dinâmica alimentar e de saúde da população, declara Rosália.

Poço de Carbono Juruena
O projeto Poço de Carbono Juruena, desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena – Aderjur, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, busca oferecer alternativas sustentáveis de renda aos agricultores familiares e povos indígenas.

“A formação em Educação Ambiental é fundamental para o entendimento de como as proposições trazidas pelo projeto para a comunidade dialoga com muitas das questões que estão sendo trabalhadas pelos professores em sala de aula, resultando em maior empoderamento dos professores e alunos pelas atividades do projeto, seu maior alcance para as famílias e sua sustentabilidade em longo prazo”, explica Paulo Nunes, coordenador do projeto.

O projeto apoia o extrativismo da castanha-do-Brasil em vários municípios do Noroeste de Mato Grosso. Também incentiva a diversificação de cultivos na recuperação de áreas por meio de sistemas agroflorestais em pequenas propriedades de Juruena. Dessa forma, os agricultores têm diversas opções de cultivos e uma renda garantida e melhor distribuída ao longo do ano. Além do benefício econômico, os sistemas agroflorestais “imitam” o comportamento da floresta, armazenando carbono e ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

DFDA-MT faz vistoria em projetos do PAA Formação de Estoques em Juruena (MT)

Posted on sexta-feira, 22 de junho de 2018
Assessoria MDA – A Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário do Mato Grosso realizou nos dias 7 e 8 de junho a vistoria na Associação Marias da Terra (Amater), na Comunidade 13 de Maio, com 16 sócias, e na Associação de Mulheres Andorinhas do Canamã (Amac), na Comunidade Somapar, com 30 sócias, no município de Juruena/MT, região Noroeste de Mato Grosso, a 887 km de Cuiabá.

As associações nasceram do interesse em melhorar as condições de vida no campo por meio da geração de trabalho e renda e garantir autonomia e dignidade sem divisão do trabalho por gênero. As associações recebem o apoio técnico da equipe da Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena (Adejur) no âmbito do Projeto Poço de Carbono Juruena, patrocinado pela Petrobras. 

Além de promover a inclusão econômica e social com fomento à produção, com sustentabilidade e a geração de renda, segundo a técnica da Adejur, Lucineia Machado da Silva, “por ser a primeira vez das associações no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Formação de Estoque, será uma excelente oportunidade para trabalharem a gestão do recurso e comercialização dos produtos a fim de recuperarem o investimento para quitação da CPR-Estoque com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)”.

Recentemente, as associações apresentaram proposta para formação de estoque de farinha de mesocarpo de babaçu. A agricultora Márcia Kraemer dos Santos Souza, tesoureira da Amac, informou que “a ideia de trabalhar com o babaçu, presente em todos os sítios da região, foi o de trazer uma renda a mais para as mulheres que não tinham muita ocupação, já que a bacia leiteira é muito forte na região. Conhecendo a experiência de outras pessoas que já trabalharavam com o babaçu, começaram o processamento, que é feito na casa de cada associada, de forma manual. “

Segundo ela, o recurso do PAA Estoque possibilitará o aumento de renda das associadas e também a estruturação da associação como local adequado para o armazenamento do babaçu, que poderá ser processado ao longo do ano, visto que hoje as associadas só coletam o que conseguem armazenar em suas casas; transporte do babaçu dos sítios para a sede da AMAC; compra de equipamentos para o processamento do babaçu, como trituradores e utensílios para produção de bolos, biscoitos e pães, agregando valor à farinha de babaçu; e o pagamento das despesas com embalagens e rótulos. Dessa forma, fortalecerá a associação com o aumento da produção para atender um mercado em expansão.

Hoje, a comercialização da farinha de babaçu e seus derivados (pães, bolos e biscoitos) é realizada pelas associações na feira local, no Centro de Comercialização da Agricultura Familiar e Extrativista com Base na Economia Solidária (Cecafs) e no mercado institucional por meio do PAA Doação Simultânea, onde os produtos são doados a populações indígenas da região em situação de insegurança alimentar e nutricional, das etnias Cinta Larga, Apiaka, Kaiaby, Munduruku e Erikbatsa, graças ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), destinado a merenda de escolas municipais e estaduais do município.

Povos indígenas e agricultores se unem para criar rede sustentável na Amazônia

Posted on terça-feira, 29 de maio de 2018
Representantes de quatro povos indígenas, quatro associações e uma cooperativa de agricultores estiveram reunidos em maio, em Juruena, no Noroeste de Mato Grosso, para discutir a criação da Rede Sentinelas da Floresta. A proposta da rede é uni-los para valorizar o potencial da comercialização dos produtos do extrativismo e agricultura familiar para o mercado nacional e internacional.

Aumentar a escala de produção e fortalecer as organizações de base comunitária são outros dos objetivos da rede, que conta com apoio do projeto Poço de Carbono Juruena, patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Fazem parte da rede que está sendo construída associações dos povos indígenas Cinta Larga, Munduruku, Apiaká, Kayabi, juntamente com as Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena – Aderjur, Cooperativa de Agricultores do Vale do Amanhecer – Coopavam, Associação de Mulheres Cantinho da Amazônia – Amca, Associação Marias da Terra – Amater e Associação de Mulheres Andorinhas do Canamã – Amac.

Marcelo Munduruku, da Aldeia Nova Munduruku, em Juara, a cerca de 300 km de Juruena e 700 km de Cuiabá, capital de Mato Grosso, explica que seu povo produz cerca de 15 toneladas de castanha-do-Brasil por safra. Ele lembra que antigamente a produção era dispersa, mas a partir de projetos como o Poço de Carbono Juruena, que apoiou a organização do extrativismo, o valor do quilo produzido teve um aumento de R$ 1,50 para R$ 4,00. O resultado dessa aliança que já dura cinco anos é fundamental para avançar na proposta da criação da rede de parceiros.

“Precisamos nos unir com outros grupos que tem o mesmo objetivo comum, que apostem em outros meios que não a monocultura”, explica. “Nós temos potencial para o agroextrativismo também de cacau, açaí, seringa, buriti e outros produtos”, complementa.

Já Kawayp Katu Kayaby, presidente da Associação Indígena Kawaiwete, que une 66 famílias que produzem cerca de 180 toneladas por safra, acredita na força da proposta, mas que é preciso ser bem discutida nas aldeias. “Temos que discutir muito a criação da rede na nossa comunidade, porque precisamos pensar na produção de outros produtos e na sustentabilidade das nossas famílias”, acrescenta.

Esta é a mesma opinião da Marcia Kraemer dos Santos Souza, vice-presidente da Aderjur, entidade que executa o projeto Poço de Carbono Juruena. “A nossa associação já tem 22 anos, nós temos um nome forte e sempre ajudamos outras associações. Está na hora de unirmos nossas forças”, explica.

Para Márcia, a força da rede Sentinelas da Floresta está em organizar esses atores para planejar um desenvolvimento para essas entidades e elas poderem negociar melhores preços e condições com os compradores de castanha e outros produtos que tem origem na agricultura familiar e no extrativismo.

Próximos passos
A criação da Rede Sentinelas da Floresta tem sido facilitada pela Conexsus, com apoio da Climate and Land Use Alliance (Aliança Climática para o uso da Terra) – Clua. A Conexsus tem como proposta incentivar negócios sustentáveis, especialmente na Amazônia, para ajudar a promover uma economia de baixa emissão de carbono.

O consultor da entidade, Fragoso Junior, explica que foi realizado um diagnóstico das organizações para entender como cada uma delas poderiam contribuir na consolidação da rede. “Avançamos na proposta de funcionamento da rede, com um plano de ação, compromissos e ações coletivas e individuais”, explicou.

“Também apresentamos um produto, que é um plano de investimento híbrido, que conta com apoio de fundos não-reembolsáveis para apoiar soluções dessa iniciativa”, finaliza.

As discussões para a criação da rede Sentinelas da Floresta deverão ser intensificadas nas próximas semanas até sua formalização.

Sobre o projeto Poço de Carbono Juruena
Desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena – Aderjur, com patrocínio da Petrobras, o projeto Poço de Carbono Juruena apoia o extrativismo de castanha-do-Brasil em vários municípios do Noroeste de Mato Grosso. Também incentiva a diversificação de cultivos na recuperação de áreas por meio de sistemas agroflorestais em pequenas propriedades de Juruena. Dessa forma, os agricultores têm diversas opções de cultivos e uma renda garantida e melhor distribuída ao longo do ano. Além do benefício econômico, os sistemas agroflorestais “imitam” o comportamento da floresta, armazenando carbono e ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Mudanças climáticas e seus impactos nas comunidades tradicionais na Amazônia são temas de reportagens internacionais

Posted on sábado, 12 de maio de 2018
É essencial que projetos que defendam as necessidades de ribeirinhos, assentados e indígenas ganhem escala, tanto como fonte de renda para essas comunidades, como para minimizar os impactos das mudanças climáticas, que já são visíveis. Esta é uma das observações do jornalista americano Sam Eaton, que esteve no Brasil em abril e maio pra fazer uma série de reportagens socioambientais.

As reportagens de Eaton, que é um dos jornalistas independentes especialistas neste tema em nível global, serão publicadas na revista The Nation e também irão ao ar em junho e julho no programa “The World”, uma co-produção da BBC britânica com a PRI americana. Além disso, também serão apresentadas num canal de TV público dos Estados Unidos. As matérias foram produzidas a partir de financiamentos da Associação Norte-Americana de Jornalistas de Meio Ambiente e do Pulitzer Center for Crisis.

Em Mato Grosso, Sam Eaton conheceu os Mundurukus, da aldeia Nova Munduruku, de Juara, no Noroeste de Mato Grosso. Os indígenas relataram que a Terra Indígena faz divisa com grandes fazendas. O uso de agrotóxicos nessas fazendas além do esgoto que vai para os rios sem tratamento básico está causando a redução de peixes nos rios que cortam a terra indígena. A pesca predatória também tem acentuado a escassez de peixes.

Além disso, a redução de chuvas causada pelo El Niño, cada vez mais frequente nesta região do Mato Grosso, está causando diminuição no nível dos rios durante a estação das águas, o que está interferindo na piracema, na desova dos cardumes e na disponibilidade de peixes nos rios, informou Raimundo Munduruku.

Os Munduruku são um dos povos em que o Poço de Carbono Juruena atua. O projeto é desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena – Aderjur, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

O Poço de Carbono Juruena incentiva a extração e comercialização de castanha-do-Brasil de comunidades tradicionais como forma de potencializar a economia local e ser uma alternativa de renda a centenas de pessoas na região. A castanha, além de ser um produto típico de comunidades tradicionais amazônicas, sua árvore também oferece uma série de serviços ambientais. Como as castanheiras precisam da floresta para produzir frutos, é um apelo a mais contra o desmatamento.

“Desde 2010, quando os Mundurukus se tornaram parceiros do projeto, eles melhoram a qualidade da castanha e estão vigiando suas áreas com mais intensidade para proteger a floresta contra invasores, ao mesmo tempo em que estão sendo melhor remunerados na negociação de preços da sua castanha”, explica Paulo Nunes, coordenador do projeto.

“A viabilidade do projeto foi demonstrada com o entusiasmo em mostrar os resultados, com a vontade de plantar mais castanheiras, manifestada por assentados e indígenas e com a satisfação de não mais dependerem de atravessadores”, explica Cassuça Benevides, jornalista que acompanhou Sam Eaton durante a viagem como produtora e tradutora. “O ganho de escala de projetos que colocam lado a lado as necessidades de ribeirinhos, assentados e indígenas, como acontece com o Poço de Carbono Juruena, nos parece essencial para acabar com a guerra entre os que pregam o atual modelo de desenvolvimento e os que defendem os direitos dos indígenas em manter seu modo de vida tradicional e sua cultura, já que promovem o desenvolvimento sustentável e valorizam a floresta em pé”, complementou.

Fortalecimento da economia local e o ponto de não-retorno
Sam Eaton também entrevistou técnicos do Ibama e o climatologista brasileiro ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Carlos Nobre. O especialista vem alertando que regiões da Amazônia estão próximas de um ponto de não-retorno. Ou seja, que se nada for feito, os efeitos do desmatamento serão irreversíveis. Uma das formas para combater esse impacto é justamente a criação de uma “economia local baseada em beneficiamento dos produtos extrativistas da floresta”. E isso é justamente o que projetos como o Poço de Carbono Juruena vem estimulando.

Sobre o projeto
Desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena – Aderjur, com patrocínio da Petrobras, o projeto Poço de Carbono Juruena apoia o extrativismo de castanha-do-Brasil em vários municípios do Noroeste de Mato Grosso. Também incentiva a diversificação de cultivos na recuperação de áreas por meio de sistemas agroflorestais em pequenas propriedades de Juruena. Dessa forma, os agricultores têm diversas opções de cultivos e uma renda garantida e melhor distribuída ao longo do ano. Além do benefício econômico, os sistemas agroflorestais “imitam” o comportamento da floresta, armazenando carbono e ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Mudanças climáticas e seus impactos nas comunidades tradicionais na Amazônia são temas de reportagens internacionais

Posted on sexta-feira, 11 de maio de 2018

Projeto Poço de Carbono Juruena é reconhecido como uma eficiente proposta de mitigação dos efeitos de mudanças climáticas e alternativa econômica para a região 
 
Assessoria - É essencial que projetos que defendam as necessidades de ribeirinhos, assentados e indígenas ganhem escala, tanto como fonte de renda para essas comunidades, como para minimizar os impactos das mudanças climáticas, que já são visíveis. Esta é uma das observações do jornalista americano Sam Eaton, que esteve no Brasil em abril e maio pra fazer uma série de reportagens socioambientais.

As reportagens de Eaton, que é um dos jornalistas independentes especialistas neste tema em nível global, serão publicadas na revista The Nation e também irão ao ar em junho e julho no programa "The World", uma co-produção da BBC britânica com a PRI americana. Além disso, também serão apresentadas num canal de TV público dos Estados Unidos. As matérias foram produzidas a partir de financiamentos da Associação Norte-Americana de Jornalistas de Meio Ambiente e do Pulitzer Center for Crisis.

Em Mato Grosso, Sam Eaton conheceu os Mundurukus, da aldeia Nova Munduruku, de Juara, no Noroeste de Mato Grosso. Os indígenas relataram que a Terra Indígena faz divisa com grandes fazendas. O uso de agrotóxicos nessas fazendas além do esgoto que vai para os rios sem tratamento básico está causando a redução de peixes nos rios que cortam a terra indígena. A pesca predatória também tem acentuado a escassez de peixes. 

Além disso, a redução de chuvas causada pelo El Niño, cada vez mais frequente nesta região do Mato Grosso, está causando diminuição no nível dos rios durante a estação das águas, o que está interferindo na piracema, na desova dos cardumes e na disponibilidade de peixes nos rios, informou Raimundo Munduruku.

Os Munduruku são um dos povos em que o Poço de Carbono Juruena atua. O projeto é desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena – Aderjur, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

O Poço de Carbono Juruena incentiva a extração e comercialização de castanha-do-Brasil de comunidades tradicionais como forma de potencializar a economia local e ser uma alternativa de renda a centenas de pessoas na região. A castanha, além de ser um produto típico de comunidades tradicionais amazônicas, sua árvore também oferece uma série de serviços ambientais. Como as castanheiras precisam da floresta para produzir frutos, é um apelo a mais contra o desmatamento.

“Desde 2010, quando os Mundurukus se tornaram parceiros do projeto, eles melhoram a qualidade da castanha e estão vigiando suas áreas com mais intensidade para proteger a floresta contra invasores, ao mesmo tempo em que estão sendo melhor remunerados na negociação de preços da sua castanha”, explica Paulo Nunes, coordenador do projeto.

“A viabilidade do projeto foi demonstrada com o entusiasmo em mostrar os resultados, com a vontade de plantar mais castanheiras, manifestada por assentados e indígenas e com a satisfação de não mais dependerem de atravessadores”, explica Cassuça Benevides, jornalista que acompanhou Sam Eaton durante a viagem como produtora e tradutora. “O ganho de escala de projetos que colocam lado a lado as necessidades de ribeirinhos, assentados e indígenas, como acontece com o Poço de Carbono Juruena, nos parece essencial para acabar com a guerra entre os que pregam o atual modelo de desenvolvimento e os que defendem os direitos dos indígenas em manter seu modo de vida tradicional e sua cultura, já que promovem o desenvolvimento sustentável e valorizam a floresta em pé”, complementou.

Fortalecimento da economia local e o ponto de não-retorno

Sam Eaton também entrevistou técnicos do Ibama e o climatologista brasileiro ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Carlos Nobre. O especialista vem alertando que regiões da Amazônia estão próximas de um ponto de não-retorno. Ou seja, que se nada for feito, os efeitos do desmatamento serão irreversíveis. Uma das formas para combater esse impacto é justamente a criação de uma “economia local baseada em beneficiamento dos produtos extrativistas da floresta”. E isso é justamente o que projetos como o Poço de Carbono Juruena vem estimulando.

Sobre o projeto
Desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena – Aderjur, com patrocínio da Petrobras, o projeto Poço de Carbono Juruena apoia o extrativismo de castanha-do-Brasil em vários municípios do Noroeste de Mato Grosso. Também incentiva a diversificação de cultivos na recuperação de áreas por meio de sistemas agroflorestais em pequenas propriedades de Juruena. Dessa forma, os agricultores têm diversas opções de cultivos e uma renda garantida e melhor distribuída ao longo do ano. Além do benefício econômico, os sistemas agroflorestais “imitam” o comportamento da floresta, armazenando carbono e ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

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